Passar para o Conteúdo Principal Top
logótipo CMV
Perguntas Frequentes   Facebook Twitter Instagram Flickr Youtube ISSUU RSS feed
 

Marcas de Valongo

imagem

A igreja simboliza o património religioso, sendo uma das vertentes mais difundidas e imponentes do património edificado do concelho. As igrejas matrizes, as capelas, as alminhas, os calvários e os cruzeiros são as marcas mais evidentes de uma devoção ao sagrado, característica de populações ligadas à terra e a tudo o que dela emana. Estas não se pouparam a esforços para a criação dos mais belos exemplares para louvar a Deus, em agradecimento das benesses recebidas. Destaquemos o caso da igreja matriz de Valongo, construída à custa de um imposto de 5 reis sobre cada alqueire de trigo que entrasse na vila, a que se vieram somar outros sobre o azeite, o vinho e a carne, dando origem a um edifício majestoso numa terra muito pequena, à data da sua construção. Todos e cada um dos elementos que constituem este conjunto são um marco na paisagem, contam-nos uma página da história local e em alguns casos são o testemunho de incríveis estórias pessoais.

imagem

A lousa escolar - o nosso ipedra ou tablet- simboliza a indústria da extração e transformação da ardósia, assim como todas as atividades a elas associadas. A ardósia formou-se há cerca de 350 milhões de anos com a concreção dos sedimentos arrastados pelos rios para o fundo do mar, através de fortes pressões e temperaturas muito elevadas. Usada desde sempre para as mais variadas aplicações, viu a sua extração ser industrializada em meados do séc. XIX, através da companhia inglesa “The Vallongo Slate & Marble Quarries”. As lousas e as penas escolares talvez sejam os exemplos mais simbólicos da aplicação desta versátil matéria-prima, porque permitiram que milhares de pessoas pudessem ter aprendido a ler e a escrever, usando um material ecológico e em constante reciclagem.

imagem

Este brinquedo simboliza a indústria do fabrico de brinquedo no concelho, que passou pelo uso de diferentes matérias-primas: terracota, papel, madeira, chapa, celuloide e plástico, que foram acompanhando a evolução dos tempos. O que começou por ser uma forma de ocupar tempos mortos entre lides agrícolas e alegria dos mais pequenos, rapidamente se tornou uma fonte de rendimento. Uns paus e tábuas afeiçoados e toscamente pintados deram origem a brinquedos populares, que reproduziam os usados nas tarefas quotidianas. A madeira deu lugar à chapa, muitas vezes reaproveitada de latas de óleo e conservas, que se transformou em veículos de todos os géneros para os rapazes; fogões e ferrinhos de brunir para as meninas. O celuloide foi criado para satisfazer uma escassez de materiais durante a segunda guerra mundial. Foi de curta duração dada a sua fragilidade, mas deixou o caminho aberto para o plástico. Este foi e continua a ser a base de todo o tipo de criação do séc. XX, dentro e fora deste contexto, que viu multiplicar exponencialmente as suas formas, cores e funções.

imagem

O Bugio e o Mourisqueiro são a imagem escolhida para representar as festas, as romarias e as procissões, que são o aspeto lúdico-devocional mais visível das manifestações do património cultural imaterial, que têm lugar no nosso concelho. A Bugiada e Mouriscada é a festa que pela sua originalidade, quer a nível nacional quer internacional, foi eleita para simbolizar esta faceta das festividades concelhias. Realiza-se em Sobrado, todos os anos, no dia 24 de Junho, dia de S. João e solstício de verão. Nesta festa que envolve a participação de centenas de participantes locais, recria-se a luta entre Bugios (cristãos) e Mourisqueiros (infiéis) pela posse da imagem milagrosa de S. João Batista e replica-se a incessante luta entre o bem e o mal. Para além destra trama estrutural fazem parte outras cenas relacionadas com as vivências quotidianas como a Sementeira da Praça, a Cobrança dos D’reitos, a Sapateirada, a Prisão do Velho, finalizadas pela intervenção da Serpe libertadora do velho rei dos Bugios e repositora da ordem natural das coisas…até ao ano seguinte.

imagem

O ícone da regueifa simboliza a indústria da panificação e do biscoito, assim como todas as atividades a montante e a jusante a ela associadas. O fabrico de pão está documentado desde a Idade Média, sendo para além de alimento indispensável do dia-a-dia, meio para pagamento de foros. Era essencialmente feito de centeio, dando origem a exemplares rústicos. É provável que o biscoito (pão em forma de patela e cosido duas vezes) tenha feito parte das rações dos marinheiros que partiram do Porto para as Descobertas. Abriu-se assim caminho para o fabrico do biscoito que hoje conhecemos, através da adição de açúcar e especiarias que nos passaram a chegar desses locais remotos, nunca mais tendo parado na diversidade de formas e paladares. Com a introdução do milho graúdo americano, a broa ganhou destaque. As invasões francesas teriam introduzido o “mollet”, pão de trigo pequeno, branco e fofo, revestido por uma crosta estaladiça e dourada, rapidamente transformado em molete. Atualmente a regueifa é considerada uma iguaria no mundo do pão, dada a textura sedosa das suas camadas, obtidas após muito labor, em forma de coroa ricamente adornada por motivos estaladiços, propiciadores de fortuna.

imagem

A serra de Santa Justa e Pias retratada neste ícone, simboliza a importância do património natural na evolução da vida no nosso concelho. Com o seu aparecimento, criaram-se as condições que possibilitaram as mineralizações de ouro e antimónio, exploradas desde os romanos até à segunda guerra mundial, assim como a lousa, desde o séc. XIX até aos nossos dias. O rio Ferreira viabilizou o sistema de regadio dos campos de milho e o movimento de centenas de mós, desenvolvendo a indústria da panificação e do biscoito, auxiliado pelo coberto vegetal que possibilitou o aquecimento dos fornos, sem custos acrescidos. Hoje, podemos apreciar a sua geo e biodiversidade, destacando-se as importantes jazidas fossilíferas, que motivaram a criação do Parque Paleozóico em 1995, o Sítio Rede Natura 2000 “Valongo” em 1997 e a sua classificação como Área de Paisagem Protegida Local em 2011.