Dia Internacional dos Monumentos e Sítios - 18 de abril
Conteúdo atualizado em18 de abril de 2026às 10:09
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Assinala-se hoje o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, este ano dedicado ao tema “Património Vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres”. Esta reflexão recorda-nos que o património não é apenas memória do passado é também testemunho de resistência em tempos difíceis.
Ao longo da história, Valongo viveu momentos em que o seu património foi profundamente marcado por conflitos.
Durante a Segunda Invasão Francesa (1809), uma divisão do exército napoleónico instalou-se no território, transformando a Igreja Matriz em arsenal e cavalariça, saqueando bens de particulares e do clero. Após a derrota portuguesa na Batalha do Porto, em 29 de março de 1809, as tropas do General Vitória retiraram pela estrada de Valongo em direção ao interior, travando ainda combates com as forças francesas que as perseguiam.
Anos depois, na Guerra Civil Liberal (1832–1834), o concelho voltou a ser cenário de confrontos. A Batalha da Ponte Ferreira marcou este período e, em Ermesinde, o Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho e Santa Rita —conhecido como Convento da Formiga foi transformado em hospital militar das forças absolutistas.
No adro da sua igreja foram sepultados, em vala comum, muitos combatentes que perderam a vida durante o Cerco do Porto.
Também a mineração, com a exploração de ouro, lousa e antimónio deixou uma paisagem industrial de enorme valor patrimonial. As minas, as galerias, as infraestruturas e os saberes associados constituem um Património Vivo ameaçado pelo esquecimento.
Entre conflitos, crises e transformações, igrejas, conventos, minas e caminhos sobreviveram e chegaram até nós como testemunhos de resiliência histórica e patrimonial. Preservá-los é também preservar a memória coletiva da comunidade.
Neste Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, recordamos que o património vive nas histórias que atravessaram séculos — mesmo nos momentos mais difíceis.